Vorcaro muda versão e diz que pagou propina a Ciro Nogueira e Cláudio Castro
Nova proposta de delação premiada do banqueiro aponta vantagem indevida a políticos em troca de benefícios
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, apresentou uma nova proposta de delação premiada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria‑Geral da República (PGR) em que altera versões anteriores e trata as vantagens pagas aos políticos senador Ciro Nogueira (PP‑PI) e ao ex‑governador Cláudio Castro (PL) como propina, e não mais como amizade, conforme revelou coluna do Metrópoles.
De acordo com o material entregue, Vorcaro afirma que teria pago propina a Castro em troca de aportes milionários da Cedae (estatal de saneamento) e do fundo Rioprevidência no Banco Master. Na nova versão em relação a Ciro Nogueira, teriam sido as viagens e benesses custeadas pelo banqueiro como contrapartida pela apresentação da chamada “Emenda Master” no Congresso Nacional, proposta que visava ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A mudança de narrativa ocorre após a investigação da PF encontrar trocas de mensagens entre Vorcaro e os dois políticos no celular do banqueiro, segundo fontes que tiveram acesso ao novo material. A antiga versão da colaboração tratava os casos como relações de amizade, mas agora adotou o entendimento das investigações ao classificar os fatos como possíveis atos de corrupção.
Integrantes da PF e da defesa de Vorcaro travam nos bastidores uma disputa sobre a validade do material. Investigadores afirmam que a nova proposta pode não trazer elementos novos suficientes para justificar a celebração do acordo, enquanto a defesa sustenta que há “fatos inéditos” e informações ainda não conhecidas pelos órgãos.
Cláudio Castro e Ciro Nogueira, por meio de interlocutores, negam ter recebido propina e desafiam Vorcaro a comprovar as alegações apresentadas na delação. Agora, cabe à PF e à PGR decidir se aceitam ou rejeitam a proposta de colaboração.



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