Justiça torna réus envolvidos em esquema ligado a facção no TJRN
MPRN aponta suposta infiltração na Vara de Execução Penal para beneficiar integrantes do Sindicato do Crime
A Justiça do Rio Grande do Norte recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual e tornou réus uma ex-servidora terceirizada do Tribunal de Justiça do RN, um advogado e um detento apontado como liderança de facção criminosa. O grupo é investigado por suposta participação em um esquema dentro da 1ª Vara Regional de Execução Penal.
A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRN) após a Operação Entre Dois Mundos, deflagrada em dezembro de 2025. Segundo a investigação, a organização criminosa teria conseguido inserir integrantes na estrutura judicial para obter vantagens para membros da facção Sindicato do Crime.
De acordo com o Ministério Público, a ex-servidora Mayara Pereira Silva teria utilizado seu acesso ao Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU) para realizar alterações processuais, elaborar minutas e acessar informações sigilosas relacionadas a processos de execução penal.
Ainda conforme a denúncia, o detento Israel de Andrade Maciel, apontado como liderança da facção, teria atuado na articulação do esquema, enquanto o advogado Evandson Domingos Gomes é acusado de fornecer recursos de acesso e auxiliar na comunicação entre envolvidos.
O MPRN afirma que as investigações identificaram ações que teriam beneficiado integrantes da organização criminosa, incluindo alterações em procedimentos judiciais e circulação de informações obtidas dentro da estrutura da Vara de Execução Penal.
Durante a Operação Entre Dois Mundos, foram apreendidos celulares, equipamentos eletrônicos, dinheiro, arma de fogo e outros materiais que serão analisados pelas autoridades responsáveis.
O Ministério Público informou que não foram identificados indícios de participação de outros servidores ou autoridades do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte nos crimes investigados. O processo seguirá com a fase de instrução judicial para apuração dos fatos.



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