Ex-secretário de Saúde de Natal cita “falcatruas” e levanta suspeita sobre compra de respiradores
Em escuta da PF, George Antunes disse que secretário-adjunto era da confiança de Álvaro Dias e do filho; os três não são réus na ação penal
Uma conversa interceptada pela Polícia Federal durante a Operação Rebotalho trouxe declarações do então secretário de Saúde de Natal, George Antunes, sobre a compra de respiradores realizada durante a pandemia de Covid-19. A ligação ocorreu em julho de 2021 e foi registrada durante a investigação sobre a contratação.
Na conversa, George afirmou que o então secretário-adjunto Vinícius Capuxu de Medeiros teria insistido na aquisição dos equipamentos. O ex-secretário também afirmou que o adjunto era uma pessoa de confiança do então prefeito Álvaro Dias e do filho dele, o atual deputado estadual Adjuto Dias.
Em determinado momento, George levantou uma suspeita sobre um possível envolvimento de outras pessoas na negociação. “Deve ter esse povo todo envolvido”, afirmou. A reportagem ressalta que a declaração foi uma hipótese apresentada pelo ex-secretário durante a conversa e não uma conclusão da investigação sobre Álvaro Dias ou Adjuto Dias.
A compra investigada ocorreu em 2020 e envolveu 20 respiradores usados ou seminovos pelo valor total de R$ 2,16 milhões. Cada equipamento foi adquirido por R$ 108 mil, em uma contratação realizada por dispensa de licitação durante a pandemia.
Segundo o Ministério Público Federal, a contratação teria sido direcionada e provocado um prejuízo estimado em pelo menos R$ 1,43 milhão aos cofres públicos. A acusação também apontou problemas relacionados às condições de parte dos equipamentos. As alegações são contestadas pelas defesas.
A ação penal resultante da investigação tem como réus Vinícius Capuxu e o empresário Wender de Sá, responsável pela empresa fornecedora. Eles respondem por crimes relacionados à contratação dos respiradores. Álvaro Dias, Adjuto Dias e George Antunes não integram a relação de réus desse processo.
A situação judicial também envolve questionamentos sobre as interceptações telefônicas utilizadas na investigação. Em agosto de 2026, a Justiça Federal determinou a exclusão das interceptações e de suas prorrogações, mantendo o recebimento da denúncia com base nas provas consideradas válidas. Até a consulta realizada em 24 de setembro, não havia sentença criminal no processo.



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