Casos de ciguatera disparam no RN e Saúde faz alerta sobre consumo de pescado
Estado registrou 141 ocorrências em 2026; intoxicação é causada por toxina presente em peixes contaminados
A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte emitiu um alerta após o aumento dos casos de ciguatera no estado.
Até o dia 11 de junho, o RN contabilizou 141 ocorrências da intoxicação alimentar em 2026.
O número representa alta de 60,2% em comparação com todos os casos registrados durante o ano de 2025, quando foram notificadas 88 ocorrências.
A ciguatera é causada pela ingestão de peixes contaminados por uma neurotoxina chamada ciguatoxina.
Segundo a Subcoordenadoria de Vigilância Epidemiológica, a substância é invisível, não altera cor, cheiro ou sabor do pescado e não é eliminada por processos como cozimento, congelamento ou salga.
Desde 2022, o Rio Grande do Norte soma 259 casos notificados da doença, distribuídos em 46 surtos.
Desse total, 113 infecções foram confirmadas e dois óbitos foram registrados.
De acordo com o mapeamento da Sesap, a maioria das intoxicações ocorre após o consumo de peixe em ambiente doméstico.
Os restaurantes e estabelecimentos comerciais também aparecem entre os locais relacionados aos episódios.
A espécie mais associada à transmissão no estado é a bicuda, também conhecida como barracuda.
Outros peixes citados são arabaiana, dourado, cioba, pescada branca, galo do alto, pargo e sirigado, também chamado de robalo.
Natal concentra mais da metade das notificações registradas no Rio Grande do Norte.
Também aparecem no levantamento os municípios de Touros, Ceará-Mirim, Nísia Floresta, Parnamirim e Extremoz.
Os primeiros sintomas da ciguatera costumam ser gastrointestinais, como dores abdominais, náuseas, vômitos e diarreia.
Eles podem surgir poucos minutos após o consumo do peixe ou até 48 horas depois.
Os sintomas neurológicos, no entanto, são considerados os mais prevalentes e duradouros.
Pacientes relatam coceira intensa, dor no corpo, gosto metálico na boca, dormência na língua e nas extremidades, além de inversão térmica, alteração sensorial em que o quente parece frio e o frio parece quente.
Também podem ocorrer fadiga, fraqueza, tontura e dor de cabeça.
Em casos mais graves, a intoxicação pode evoluir com queda de pressão e batimentos cardíacos lentos.
A orientação da Sesap é que pessoas com sintomas compatíveis procurem imediatamente atendimento médico e informem se consumiram pescado nas últimas 48 horas.
A secretaria também recomenda identificar a espécie consumida e preservar sobras do peixe, congeladas e acondicionadas, para possível coleta pela Vigilância Sanitária.
Outra recomendação é evitar o consumo de pescados associados a relatos de intoxicação, principalmente quando forem de procedência desconhecida.



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