EUA chamam de “absurda” avaliação do Itamaraty sobre risco de intervenção militar no Brasil
Departamento de Estado reage a documento de Mauro Vieira sobre possíveis consequências da classificação de PCC e CV como organizações terroristas
O governo dos Estados Unidos classificou como “absurda” a avaliação do Itamaraty sobre um possível risco de intervenção militar americana no Brasil após a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.
A reação foi feita por um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos em resposta a um documento encaminhado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, à Câmara dos Deputados.
No documento, o chanceler brasileiro manifestou preocupação com possíveis consequências da decisão americana e alertou para riscos envolvendo a soberania nacional.
Segundo o Departamento de Estado, a avaliação sobre uma possível ação militar não corresponde aos efeitos previstos pela classificação das organizações.
O governo americano afirmou que as medidas adotadas contra grupos classificados como terroristas estão relacionadas principalmente a restrições financeiras, bloqueio de ativos e limitações de vistos.
O Departamento de Estado também declarou que os Estados Unidos pretendem combater a atuação das facções brasileiras em território americano dentro de suas próprias atribuições legais.
A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas foi anunciada pelo governo americano em junho.
O Itamaraty criticou a medida e afirmou que a decisão poderia gerar consequências negativas para o Brasil.
O governo brasileiro também argumenta que o enfrentamento ao crime organizado deve ocorrer por meio de cooperação internacional e respeito à soberania dos países envolvidos.
O Departamento de Estado, por sua vez, já havia negado anteriormente que a classificação das facções significasse autorização automática para uma ação militar no território brasileiro.
A divergência aumenta a tensão diplomática entre os dois países em torno da forma como Brasil e Estados Unidos tratam o combate às organizações criminosas transnacionais.



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