19 anos, cinco prazos e nenhuma conclusão: governo adia novamente a transposição do São Francisco
Iniciada em 2007 com entrega prevista para 2012, a maior obra hídrica do país acumula décadas de promessas não cumpridas; nova data é fevereiro de 2027
O governo federal anunciou mais um prazo para a conclusão das obras complementares da transposição do Rio São Francisco: fevereiro de 2027. A data é a mais recente de uma longa lista de promessas que se acumulam desde que as obras foram iniciadas, em 2007, há 19 anos.
O histórico de adiamentos é extenso e documentado. A conclusão estava originalmente prevista para 2012. Depois, o prazo foi empurrado para 2015. Depois para 2022. Em março de 2024, o próprio presidente Lula, durante visita a Jucurutu, no Rio Grande do Norte, foi categórico: “Eu tenho certeza que quando terminar o meu mandato em 2026, toda a transposição estará concluída.” O mandato de Lula termina em janeiro de 2027. A obra, agora, tem prazo até fevereiro do mesmo ano.
O que ainda falta
O projeto segue em fase de ajustes e finalização de ramais e sistemas de bombeamento que devem ampliar o abastecimento no semiárido, incluindo estados como o Rio Grande do Norte. As obras complementares são essenciais para que a água do São Francisco chegue de fato aos usuários finais — sem elas, a transposição existe no papel, mas não na torneira.
Uma espera histórica
A ideia de transpor as águas do São Francisco para o Nordeste remonta ao século XIX. A obra foi prometida por governos de diferentes partidos e ideologias ao longo de décadas. Quando concluída, deve beneficiar cerca de 12 milhões de pessoas em 390 municípios de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte — estados que convivem historicamente com a escassez hídrica.
Por enquanto, o que não falta são novos prazos.



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