“Não vamos ficar chorando”: em reunião ministerial, Lula diz que Brasil não aceita tratamento dos EUA
Em primeira reunião com novo ministério, presidente reagiu ao tarifaço de 50% anunciado por Trump e prometeu enviar nova carta ao governo americano
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou seus ministros nesta quarta-feira (3) e deixou um recado claro sobre o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos: o Brasil não vai se curvar. “Não vamos ficar chorando”, disse Lula durante reunião ministerial no Palácio do Planalto. “Não podemos aceitar o tratamento que os EUA deram ao Brasil.”
A declaração veio em resposta à decisão do governo Trump de impor tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos — medida anunciada de forma unilateral e que pegou Brasília de surpresa.
Nova carta a Trump
Lula afirmou que pretende enviar uma nova carta diretamente ao presidente americano para contestar os argumentos usados pelos EUA para justificar a sobretaxa. Segundo ele, Washington está “errada e equivocada”. O presidente também cobrou que Trump ligue pessoalmente para explicar o que aconteceu, lembrando que os dois haviam combinado um prazo de 30 dias — até 15 de junho — para que as equipes dos dois países tentassem chegar a um entendimento comercial.
“Saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento entre Brasil e Estados Unidos. A nova taxação me surpreendeu”, afirmou Lula.
Buscar alternativas
Na mesma reunião, o presidente orientou os ministros a não ficarem presos às decisões comerciais americanas e a procurarem novos mercados internacionais. A mensagem foi de resistência sem confronto aberto — endurecer o tom sem fechar a porta para negociação.
A reunião também serviu para alinhar o governo para o período eleitoral. Lula cobrou que os ministros priorizem entregas já planejadas e evitem novas iniciativas nesta reta final do mandato. Foi a primeira reunião ministerial desde a reforma que trocou 18 titulares em abril.



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